8 - Minha despedida do Hospital
Enfim chegou o dia do verdadeiro teste, exame de concentração de oxigênio no
sangue, mas agora sem o suporte de oxigênio. A Dr.ª Ane passou no quarto e
explicou como seria o procedimento. Entendi que chegava a hora de eu ver como me
sentiria sem o oxigênio, já adiantei um pouco e desliguei o oxigênio. Em repouso
parecia tudo normal, mas percebia meu organismo se adaptando a nova situação.
Desde o período da manhã até a tarde, fiquei sem o cateter, que alívio, me senti
bem e como antes, percebia que não estava adaptado, mas que era possível.
Esperei muito por esse dia. Logo veio a enfermeira Elen fazer a coleta do sangue
arterial e a expectativa estava a mil, esse seria o exame que me levaria a alta.
Logo mais tarde fiquei sabendo que tinha dado bom o exame e atingia 93% de
oxigênio no sangue, não sei o termo técnico, mas sei que era bom. Junto fizeram
nova tomografia e também exames clínicos. O que ouvia é que seria o preparo da
alta. Graças a deus tudo correu bem e estava tudo ok. Percebia o agito que
começava a sentir, de só de pensar que enfim sairia do hospital. Quando a
internação é longa, parece que você foi desligado do mundo e tudo fica para
depois, seu foco se torna em restaurar, recuperar e sobreviver. As notícias eram
ótimas, mas havia ainda uma condicionante, precisaria de suporte de oxigê-nio
domiciliar. Iniciamos com o pessoal do hospital preparando a papelada toda para
solici-tarmos para o plano. Inicialmente seria o caminho, pois tendo um uso
contínuo, mesmo que de 1l/min., fazendo umas contas, cada cilindro duraria em
média três dias ao custo de r$240,00 a recarga. Seria pesado e ainda uma
logística toda por traz disso. Então encami-nharam para Unimed e daí começava a
luta para aprovar esse suporte via plano. Como nes-sas horas, tudo parece lento,
não nos preocupamos nem com os prazos normais, queremos ver tudo resolvido. No
hospital havia o monitoramento de todos os passos, como estávamos com os
celulares, em paralelo, começamos a nos movimentar fazendo contato e cobrando a
liberação. Depois de muito lutar, veio a primeira negativa e foi como um balde
de água fria. Tive a impressão que voltar à estaca zero. Como nunca me rendo as
adversidades, en-tramos com a reanálise e contactámos todos os médicos que
conhecíamos e poderiam ter alguma ligação com a Unimed. Depois de uns dois dias,
novamente tivemos a recusa. Nes-tas alturas já pensava em um plano b. Nossa
amiga Rebeca é do administrativo do hospital e de imediato começou a fazer
contatos. Buscamos a opção de usar um concentrador de oxigênio, principalmente
para não precisar ficar repondo cilindro e nem ter de recarregar. Achamos um
contato e era na cidade de palhoça, nestas alturas do campeonato, já tinham
outras pessoas tentando e nos ajudando a buscar alternativas. A princípio a
locação estava bem difícil e novamente a logística estava difícil,
principalmente porque achávamos em ou-tras cidades. Nesta parte da história
nossa amiga rose, uma assistente social nata, movia mundos e fundos para
conseguir algo. A alternativa de palhoça poderia dar certo, mas teria de ser via
pessoa jurídica, várias pessoas se levantaram e se dispuseram a usar suas
empre-sas para conseguir a locação do equipamento. Um a um, foram sendo
desqualificados pela empresa a ponto de não conseguirmos o equipamento. Fica o
registro que várias pessoas se despuseram de forma rápida, sem qualquer condição
a simplesmente ajudar. Agora nova-mente retornávamos à estaca zero, os
concentradores não deram certo. Continuava com a rose correndo para ver se
conseguia algo e já pensava em uma outra solução. Assim fomos nos conformando e
procurando novas estratégias, quando recebemos uma oferta para a despesa de
locação do suporte de oxigênio. Estava mais do que resolvido, partiria para
ci-lindro. Fazendo as contas agora, estava usando o oxigênio só para dormir e o
cilindro daria certo, com esse novo consumo. A dra. Ane passou a instrução de
forma bem clara, precisa-ríamos estar com o cilindro instalado e fotografado
para efetivar nossa alta. Conseguimos uma empresa que fornecia, fechamos valor,
data de entrega, enfim tudo. No dia seguinte veio uma conversa que não tinha
registrado nosso pedido e que não daria para atender. Ba-teu uma desespero e
comecei a argumentar com o proprietário da empresa, explicando tu-do que
representava essa negativa e o quanto confiávamos na sua palavra. Depois de
muita negociação, recebemos só uma mensagem, "logo estará em sua casa". Quase
não acredita-va que daria tudo certo, pedi para o Felipe nos avisar e registrar
com fotos a instalação do cilindro. Chegada as fotos, agora era esperar a
liberação da alta. Parece que o tempo não passava, as enfermeiras e técnicas
corriam para resolver tudo, inclusive já tinha até uma técnica que fazia questão
de me acompanhar até a saída. Tudo arrumado, chegou minha acompanhante com uma
cadeira de rodas e enfim tinha chegado a hora de partir. Era uma sensação boa
demais, mas confesso que a gente acaba se apegando as pessoas, de tantas
conversas e tantas situações vividas que era impossível não lembrar ou pensar em
cada pessoa. Ia percorrendo aqueles corredores, olhando para cada pessoa no
caminho e sempre agradecendo, por existir tantos anjos naquele lugar. Chegando
na recepção, já via o meu fi-lho e de repente lá estavam minha igreja
representada, através dos nossos pastores e mais alguns amigos e irmãos em
cristo, haviam cartazes, manifestações de muito amor e carinho que me fizeram
sentir amado e acolhido novamente neste mundo, fora hospital. O pr. Ale-xandre
conversou comigo, junto da pra. Lediana e lá mesmo, naquele momento de muita
emoção, oramos em agradecimento pela minha vida e também por todos aqueles anjos
do hospital que tanto servem as pessoas, que amam o próximo e manifestam deus em
suas ati-tudes e ações. Era tudo tão intenso, estar de volta a um ambiente
aberto, saber que estaria a caminho de minha casa e poderia rever novamente
minha família com um novo sentido. Chegando em casa novamente fui impactado com
cartazes, presentes e uma coleção de cartas que me tiraram o chão. Quanto amor e
que alegria, saber que de alguma forma ti-nha marcado a vida de tantas pessoas,
ao ponto de ser lembrado. Que maravilha estar em casa, nossas pets, a Lucy e a
mana não sabiam o que fazer para me agradar. A Lucy é uma beagle e não saia do
meu pé, decerto pensava, enfim o líder da matilha voltou. Os cães são
fantásticos, como amam incondicionalmente. Devagarinho andei por todos os
ambientes da casa, sentei na varanda e uma paz tomou conta de mim. Em seguida,
partiu café, só que agora em casa e com os meus. Manifestei que nada poderia
comparar ao amor que sentia por cada um deles e que oportunidade estava sendo
ter todos de volta. Bom esse foi com certeza um tempo muito difícil que com
certeza já faz parte do meu passado, mas que com toda certeza cumpriu um
propósito em minha vida. Nunca poderei esquecer a tantas pesso-as que cuidaram
de mim no hospital, tantas pessoas que se dispuseram a orar por minha vi-da e
minha família. O que seria de mim se não estivesse acompanhado por um Deus
pre-sente, que nunca deixou de me amar e que em sua infinita misericórdia se
manifestou em tantos detalhes e maravilhas. Sou um milagre vivo e sempre
testemunharei das tantas as coisas que deus fez, faz e fará em minha vida. Desde
já peço desculpas se não lembrei o nome de cada pessoa nos relatos, mas podem
ter certeza que todos moram em meu cora-ção e nunca esquecerei ninguém. Anjos na
terra, amigos para horas difíceis, vocês fizeram a diferença na minha vida e na
vida de tantos que já lutaram ou ainda lutam, vocês são in-cansáveis, seu amor
não cessa e como é bom saber que vocês existem. Um grande obrigado do paciente,
amigo e com certeza um eterno fã, desse ofício maravilhoso e nobre. Estou vi-vo
e deus me ama e a vida continua sendo um livro aberto, onde a minha história não
aca-bou ainda.
Emocionante!!!! Deus é fiel e sua obra é completa. Glória a Deus por mais esta cura.
ResponderExcluirSua vida, seu testemunho, sua fé e determinação enche os nossos corações e nos dá mais força para continuar.. louvo a Deus pela sua VIDA!
ResponderExcluirEmocionante Edu, nós aqui lendo tudo não podemos mensurar, só você que vivenciou tudo isso, louvo a Deus pela sua vida, amo voces, sua familia é como minha família... Glorias a Deus por você estar vivo e os propósitos nosso Pai te revelará. Felizes demais por vocês. grande grande abraço, saudades de estar junto com voces em comunhão. abraçao nosso do Dody´s
ResponderExcluirSem Palavras para descrever o tamanho do amor de Deus por sua vida, por vc e sua família e por todos q lhe ajudaram...
ResponderExcluirDa vontade de sair gritando Glórias a Deus...
Gratidão irmão por partilhar essa trajetória de amor, superação, gratidão e Fé conosco...Louvado seja Deus...😭🙏🙏
Somos da extensão da Casa de oração aqui de Nereu..
Estavamos e continuamos a estar juntos com vcs em unidade e em familia da fé...Aleluiaaaaaas....
Que o seu testemunho impacte essa geração em Nome de Jesus...📖🙏🙏🎉🎶🎧💓